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Estudo aponta mudanças nos padrões de mortes de migrantes na fronteira entre EUA e México

2026-03-04  Grupo Noé  3 views
Estudo aponta mudanças nos padrões de mortes de migrantes na fronteira entre EUA e México

O estudo foi discutido durante uma palestra promovida pelo Center for the Study of the Southwest e reúne dados de diversas áreas para compreender melhor as circunstâncias dessas ocorrências.

A pesquisa é liderada pelo professor Alberto Giordano, do Departamento de Geografia e Estudos Ambientais. Durante a apresentação realizada no Brazos Hall, o especialista explicou que a equipe analisou informações provenientes de diferentes fontes, incluindo relatórios de médicos legistas, registros policiais, organizações humanitárias e dados do National Missing and Unidentified Persons System.

O estudo também utilizou ferramentas de Sistemas de Informação Geográfica (GIS) e contribuições da antropologia forense para mapear e compreender melhor os casos registrados ao longo da fronteira. Segundo Giordano, um dos principais objetivos da pesquisa é melhorar os processos de identificação das vítimas.

“A pergunta central é: quem é a pessoa que morreu? Conseguimos identificá-la? Podemos repatriar o corpo e conectá-lo com sua família?”, afirmou o pesquisador durante a palestra.

Para cada caso analisado, os pesquisadores reuniram informações detalhadas como idade, sexo, raça ou etnia, nacionalidade, condição dos restos mortais, local onde o corpo foi encontrado e a época do ano. O levantamento também considera características do terreno, como áreas públicas ou propriedades privadas, além de relatos das autoridades envolvidas nas investigações.

Os resultados mostram que os padrões de mortes variam significativamente entre estados e até entre diferentes condados. No Arizona, por exemplo, a maioria dos migrantes é encontrada em áreas públicas do deserto, e muitas mortes estão associadas à exposição prolongada ao calor extremo e às condições ambientais severas. O estado também possui um sistema de médicos legistas mais estruturado, o que facilita a documentação detalhada dos casos.

Já no Texas, grande parte do território próximo à fronteira pertence a propriedades privadas, como grandes ranchos. Isso exige autorização dos proprietários para acesso às áreas, o que pode dificultar investigações e padronização dos registros. Segundo o estudo, nesse estado há maior número de mortes classificadas como acidentes.

De forma geral, a maioria das vítimas identificadas são homens adultos, embora também existam registros envolvendo mulheres e crianças. Em alguns casos, migrantes portavam documentos de identificação, mas eram considerados em situação irregular por não possuírem visto válido para entrada nos Estados Unidos.

Giordano destacou ainda que mudanças nas políticas de controle migratório ao longo das últimas décadas influenciaram diretamente as rotas utilizadas pelos migrantes. Segundo ele, estratégias adotadas nos anos 1990 e 2000 concentraram a fiscalização em determinados pontos da fronteira, levando muitas travessias para áreas mais remotas e perigosas.

“A fiscalização não elimina as tentativas de cruzar a fronteira. O que muda é onde e como as pessoas morrem”, afirmou o pesquisador.

A equipe planeja agora uma segunda fase do estudo para analisar como políticas migratórias influenciam a geografia das travessias e os padrões de mortes em diferentes regiões da fronteira entre os dois países.


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