As estatísticas também mostram que o valor médio das dívidas por pessoa ultrapassa R$ 6 mil. Ao mesmo tempo, indicadores do Banco Central do Brasil apontam que a taxa de inadimplência do sistema financeiro chegou a 4,2% no início de 2026, o maior índice desde o início da série histórica iniciada em 2011.
Especialistas afirmam que o aumento da inadimplência está ligado a diversos fatores econômicos, entre eles juros elevados, crédito mais caro e crescimento econômico moderado. O endividamento das famílias brasileiras terminou 2025 equivalente a cerca de 49,7% da renda anual, enquanto quase 30% da renda mensal está comprometida com o pagamento de dívidas.
Empresas também enfrentam dificuldades
O cenário de pressão financeira não afeta apenas consumidores. Segundo levantamentos baseados em dados da Receita Federal, cerca de 8,9 milhões de empresas estavam negativadas no país no fim de 2025.
O número de companhias em recuperação judicial também registrou forte crescimento. Ao final do ano passado, aproximadamente 5.680 empresas estavam nesse processo, um aumento superior a 20% em relação ao ano anterior. Apenas no último trimestre de 2025, foram registrados mais de 500 novos pedidos de recuperação judicial.
Analistas apontam que o ambiente de crédito restrito e os juros elevados dificultam a capacidade de empresas manterem investimentos e honrar compromissos financeiros.
Juros altos pressionam crédito
A taxa básica de juros no Brasil permaneceu elevada ao longo de 2025. Em alguns períodos, a Taxa Selic chegou a 15% ao ano. Com isso, o custo médio do crédito no sistema financeiro ultrapassou 30% ao ano.
Para consumidores, as taxas são ainda maiores. Em algumas modalidades de crédito livre, o custo anual superou 40%, refletindo tanto a política monetária quanto o aumento do risco de inadimplência.
Especialistas destacam que o chamado spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e o valor cobrado dos clientes — também aumentou, indicando maior cautela do sistema financeiro diante do cenário econômico.
Conflitos internacionais podem agravar cenário
Analistas alertam que fatores externos podem agravar o quadro econômico. Um possível prolongamento do conflito envolvendo o Irã pode pressionar o preço internacional do petróleo, elevando custos de energia e combustíveis.
Caso isso ocorra, a inflação global pode subir novamente, o que dificultaria a redução de juros por bancos centrais ao redor do mundo. Esse cenário poderia afetar economias emergentes como o Brasil, prolongando o período de crédito caro e crescimento mais lento.
Para especialistas, a recuperação mais consistente dos indicadores de inadimplência no país pode levar alguns anos, dependendo da evolução das taxas de juros, do crescimento econômico e da estabilidade do cenário internacional.